Uma câmera na mão e a espiritualidade na mente – Conheça a trajetória de André Marouço

Conheça a trajetória de André Marouço, 50, fundador da TV Mundo Maior e Gerente de Comunicações da Fundação Espírita André Luiz

“A evolução não se dá aos pulos”, exclamava o diretor, cinegrafista e jornalista nas reuniões periódicas com a equipe. FOTO: RW Turismo

Não costumo fazer isso, mas naquele dia, eu confesso a você que fiz, relata André sobre uma comunicação espiritual que recebera em um centro espírita.

O ano era 2014. André estava apreensivo e cheio de dúvidas se deveria ou não sair do país. Desde criança, Marouço sonhava com a experiência de morar na Europa. Com ascendência portuguesa e dupla nacionalidade, sempre pensou que era só uma questão de tempo para alcançar o tão almejado sonho.

Munido então de expectativas, organização e planejamento de meses, André adentra a casa espírita na qual realizaria uma palestra e questiona os espíritos: “Eu queria muito ter uma resposta da espiritualidade. Se for do meu merecimento e se puder, que a espiritualidade me mande um sinal para saber se o meu caminho é esse mesmo ou não”.

Sem falar com ninguém, ao fim da palestra, um dos dirigentes dos trabalhos espirituais deu passividade a um Espírito que disse: “Isso que você está pensando, ainda não é a hora”. Foi neste momento que André soube que a sua missão na disseminação da boa nova de Jesus à frente dos canais de comunicação da Fundação Espírita André Luiz ainda não tinha chegado ao fim.

O PRELÚDIO

O ciclo de trabalho que o envolveu durante os últimos dezesseis anos contou com muito estudo formal e espiritual. O que hoje reflete em uma dedicação ímpar para a Doutrina dos Espíritos, começou em um lar católico aos 6 anos de idade, quando dois primos adoeceram.

Diante de um estado grave de saúde, André presenciou a manifestação mediúnica através de sua prima, que indicou a visita a um terreiro de umbanda. Após este primeiro contato com fenômenos mediúnicos, aos 8 anos, Marouço já manifestava a própria mediunidade.

 

Aos 19 anos, já noivo de sua atual esposa, Rosângela Alves Marouço, André se viu em um momento difícil da sua vida. O casal sofreu um acidente e Rosangela feriu-se bastante, o que o desestabilizou por completo. Em meio a todo esse sentimento de aflição, um amigo espírita, Alberto de Freitas, falava para Marouço palavras de alento para o seu coração, o que acabou fazendo com que André se lembrasse de um objeto na casa de sua genitora.

Na casa de minha mãe tinha um livro chamado ‘Os Mensageiros’ de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, que durante muitos anos, eu passava da cozinha para a sala, da sala para a cozinha e sempre o observava […] Como fiquei interessado no espiritismo, finalmente resolvi ler o livro….

A leitura daquela obra espírita o intrigou tanto que ele foi até o único centro que conhecia, o Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz. Lá André e Rosângela fizeram o curso de doutrina espírita e nunca mais deixaram de frequentar regularmente o centro.

QUANDO A VIDA TE DÁ LIMÕES…

Depois de 11 anos de estudo da doutrina espírita, aos 32 anos de idade, André teve a ideia de fazer um filme espírita, então ele escreveu todo o roteiro do longa e o enviou por e-mail para o então presidente do Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, senhor Onofre Astínfero Baptista.

Sem nenhuma esperança de obter algum tipo de retorno, para a sua surpresa, Onofre entrou em contato novamente com André e a sua resposta não poderia ser outra. Na ocasião, o presidente salientou que não havia interesse naquele momento de empreitadas no cinema, mas como Marouço era profissional de TV, o Sr Onofre ofertou a ele serviços como voluntário em um programa de TV que a FEAL estava levando adiante, o Boa Nova na TV. Após três anos desenvolvendo um trabalho voluntário, em 2005 veio a oportunidade de implantar oficialmente a emissora TV Mundo Maior.

André Marouço e Jether Jacomini no lançamento do livro Quedas e Ascensão, psicografado pelo médium Divaldo Pereira Franco. FOTO: Fernando Rocha.

Sobre os desafios destes primórdios da TV Mundo Maior, André relata que teve que lidar com pessoas muito envolvidas com a doutrina, mas ainda sim, pessoas normais. Melindres, inseguranças, medos, traumas e dramas, ou seja, sentimentos humanos de espíritos encarnados em Provas e Expiações. No entanto, talvez a sua maior prova tenha sido a própria inexperiência. Mesmo sendo um operador de câmera muito respeitado, com passagens por emissoras como SBT, Rede Globo e Cultura, André ainda não tinha experiência com gestão, o que o fez voltar para a faculdade, onde estudou Marketing na Universidade Paulista.

Nós tínhamos três câmeras e duas ou três pessoas que eram da rádio [Boa Nova, emissora que era, até então, o principal canal de comunicação da Fundação Espírita André Luiz] e que nós treinamos para aprender a fazer TV. Isso em agosto de 2005, e nós tivemos a incumbência de estrear o canal em janeiro, sem dinheiro, sem equipamento e sem equipe, o que foi um negócio meio insano.

Toda a equipe da TV Mundo Maior em sua primeira sede no bairro de Santana, São Paulo, capital.

O aprimoramento profissional e acadêmico resultou em ótimos resultados de audiência para a TV Mundo Maior, incluindo a expansão para canais abertos em mais de 7 cidades e por todo o país através de canais por assinatura.

COM GRANDES PODERES, VÊM GRANDES RESPONSABILIDADES

A participação de André Marouço como roteirista, diretor, gestor e jornalista cresceu ainda mais com a criação de dois dos principais programas da TV Mundo Maior, o Boletim Espírita e o Mundo Maior em Debate.

O primeiro deles, Boletim Espírita, nasceu com a necessidade de analisar acontecimentos de grande comoção popular à luz da doutrina espírita. A primeira edição do programa falou sobre a desencarnação do músico e compositor, Chorão, da banda Charlie Brown Jr. A ideia inicial era manter uma rotatividade de pessoas que apresentariam o programa, no entanto nem sempre havia essa disponibilidade por parte dos apresentadores, algo que foi resolvido quando Marouço participou do primeiro episódio e conquistou a audiência tanto da TV Mundo Maior, quanto no Youtube, onde os vídeos também são postados.

Toda a equipe da TV Mundo Maior em sua primeira sede no bairro de Santana, São Paulo, capital.

Já o programa Mundo Maior em Debate nasceu com a missão de ser o primeiro programa de auditório da TV Mundo Maior. Realizando um debate rico e com pluralidade de ideias, com pessoas interessantes, pensadores e especialistas, sempre para abordar pautas importantes para a sociedade e a comunidade espírita, o programa acontecia uma vez por mês ao vivo e com plateia. Durante toda a sua exibição, o Mundo Maior em Debate, assim como o seu irmão mais velho, o Boletim Espírita, fazia sucesso na grade de programação da emissora e também no canal do Youtube da TV Mundo Maior.

André Marouço, João Lourenço, Del Mar Franco e Edson Figueiredo no programa Mundo Maior em Debate – GEECX (Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier). FOTO: Fernando Rocha

Em novembro de 2016, André já não era mais o gestor da maior emissora espírita do mundo, mas sim o gerente dos dois principais canais de comunicação da Fundação Espírita André Luiz. Isso graças aos seus esforços que foram reconhecidos pelo conselho diretor da Fundação Espírita André Luiz, o que resultou na responsabilidade de unificar TV Mundo Maior, sua principal conquista até o momento e a Rádio Boa Nova, pioneira em seu segmento, no ar desde 1975 e principal difusora da doutrina espírita no mundo todo.

Foi o desafio mais difícil ao longo desses anos todo, pois eu estava assumindo um espaço que tinha uma mesma gestão e uma mesma forma de fazer rádio há muitos anos e eu não era um homem de rádio […] Nós estávamos vivendo uma crise de grandes proporções desde 2014, praticamente, e isso atingiu a fundação de forma absurda.

ENCONTRO COM A SÉTIMA ARTE

Se no começo de sua carreira, André teve o seu projeto cinematográfico negado, agora o diretor acumula sucessos de bilheteria. Dentre as suas obras, estão os longas: Paulo de Tarso e a história do cristianismo primitivo, (2019); Nos passos do mestre, (2016); Causa e efeito, (2014) e O filme dos espíritos, (2011).

Inicialmente, Marouço recebeu a indicação de um dos primeiros profissionais de audiovisual da TV Mundo Maior, Eduardo Dubal, que estava fazendo um curso de cinema na Academia Internacional de Cinema e trouxe a informação de que, jovens matriculados no curso, eram preparados quanto às técnicas artísticas e administrativas da indústria de cinema. Foi então que os dois tiveram a ideia de iniciar o Projeto Mundo Maior de Cinema, uma iniciativa que daria a oportunidade a jovens estudantes de cinema de produzirem oito curtas-metragens.

O projeto consistia em oferecer verba, equipamentos e recursos humanos para estes jovens filmarem seus curtas, desde que estes explicassem, em formato de ficção, oito capítulos de “O Livro dos Espíritos”. A próxima etapa do projeto seria reunir estes curtas em uma nova trama, novo roteiro e um novo filme.

Nasceu assim, O Filme dos Espíritos, dirigido por André Marouço e co-dirigido por Michel Dubret.

O Filme dos Espíritos recebe Prêmio do Festival Sesc Melhores Filmes. FOTO: RAE-Tv

A paixão pelo cinema nasceu no dia em que o jovem André foi acompanhar o pai em uma reunião sindical. Naquele dia em particular, pai e filho chegaram muito cedo na reunião e para passar o tempo, decidiram ir até uma sala de cinema qualquer. O filme escolhido foi “Viagem ao Centro da Terra”, (1967). Ainda com quatro anos de idade, André sequer era alfabetizado, sendo assim, não conseguia ler a legenda das falas do longa metragem. Seu pai dormira o tempo inteiro na sessão, deixando-o acordado e completamente hipnotizado pela magia do cinema. Dali em diante, Marouço sabia que o encontro com a sétima arte fazia parte da sua vocação espiritual.

TODO FIM É UM RECOMEÇO

Mesmo longe da gestão da TV Mundo Maior e da Rádio Boa Nova, André pretende continuar com a sua paixão pelas telonas e dar continuidade a direção cinematográfica. Ao final desta entrevista, o questionei sobre o que ficou da FEAL nele e o que a FEAL vai levar dele depois de todo esse tempo?

No primeiro momento, André hesitou. Pensou um pouco. Bebeu um gole de café e com um semblante pensativo, reclinou-se na cadeira.

Disse que seria muito difícil falar o que ficou dele na Fundação, mas confessou que vai levar tantos sentimentos e lembranças positivas, que mal poderia se reconhecer sem esses 30 anos de Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz e 19 anos de FEAL, (três anos como voluntário e 16 anos como profissional):

A FEAL me entregou tanto, mais tanto conhecimento, experiências e oportunidades durante esses mais de 30 anos, que se eu me encontrasse hoje comigo mesmo de dezesseis anos atrás, provavelmente eu não me reconheceria. Muito provavelmente as minhas ideias, a minha maneira de ver o mundo, a minha visão de espiritismo, a minha visão de ser humano… nada disso existia. Tudo isso foi construído por esse trabalho no Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz e pela Fundação Espírita André Luiz.

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