A Prosperidade e o trabalho 

prosperidadeA prosperidade é a condição de ser próspero, muitas vezes associado à abundância e fortuna, mas também representa a felicidade, ao sucesso.  É uma condição de constante desenvolvimento e progresso em determinada situação. A prosperidade pode ser aplicado no campo financeiro, onde é talvez mais associada, mas também remete ao desenvolvimento de outros campos da vida, como o afetivo, a saúde, a espiritualidade. 

Para elucidar e refletir mais sobre esse tema, leia o conto a seguir, um relato fictício sobre o breve encontro de Ana Rosa e Pedro Joaquim e como o jovem aprendeu sobre prosperidade com a linda moça que o encontrou perdido e desesperado. Confira: 

O Menino em busca do ouro

Estava sentada a beira de um rio uma linda moça de cabelos castanho claro e um lindo vestido amarelo. Ela havia apanhado algumas rosas amarelas e as admirava enquanto se refrescavam à beira desse lindo rio, ouvindo o harmônico sons das cachoeiras, os pássaros a repousarem nas árvores e o vento tocando sua pele. 

Eis que pode observar na outra margem deste rio um jovem concentrado, observado ao fundo das águas. A princípio a moça sugeriu mentalmente que o rapaz estava pescando. “Mas sem instrumentos?”, questionou ela descartando a possibilidade. 

– O que faz meu jovem? – Falou com sua doce voz. 

O menino se assustou, pois estava compenetrado em sua tarefa e então nada a sua volta foi ser enxergado por ele, nem a linda moça. 

– Procurando ouro. Ouvi dizer que tem muito aqui neste rio. – Disse o jovem de forma meio seca. 

Ela sabia essa era apenas uma lenda e que aquele rio não possuía ouro algum, mas viu uma oportunidade para auxiliar o jovem que estava se sentindo desesperado. 

– Tem nome ou posso te chamar de menino em busca do ouro? – Disse rindo. 

– Meu nome é Pedro Joaquim. E o seu ou devo lhe chamar de a moça das rosas? 

Olhando para as suas rosas amarelas e ouvido a resposta de Pedro Joaquim, a moça tinha a certeza de que o jovem podia mais do que apenas entristecer-se por seguir falsas promessas de riqueza. 

– Ana! Meu nome é Ana Rosa, apesar de ter gostado muito de A Moça das Rosas. – Ambos sorriram antes de Ana continuar. – Atravesse o rio e vem até mim. 

O jovem Pedro, que não tinha nada a perder, banhou se naquele lindo rio de águas frescas naquele dia de sol forte até chegar na outra margem. 

– O que tem a me dizer? – Ele a questionou. 

– Carrego comigo um mapa que lhe dará o ponto exato onde encontrará o seu tanto sonhado ouro neste rio. Mas para eu lhe entregar você terá de cumprir algumas tarefas. 

Pedro Joaquim começou a ficar intrigado, pois nunca tinha vista aquela moça na cidade, nem nas estradas da floresta e questionou em seus pensamentos o por quê dela estar querendo ajudar. Mas novamente sem ter nada a perder aceito as tarefas. 

– O que devo fazer então? – Disse ele insatisfeito em não ter o tesouro de prontidão.  

– Você poderia ser menos rude com suas palavras essa é a primeira lição e a primeira tarefa. Seja com as águas que fluem no rio, não como as pedras que estão em seu leito. 

 Ana falou com Pedro usando mais firmeza e menos doçura em seu tom de voz. O Menino arregalou os olhos, surpreso pela bronca e arrependido pela sua rispidez.  

– A segunda tarefa é ser paciente e perseverante. Não desista no primeiro obstáculo que encontrar. Atravesse o rio, mesmo se for com dificuldades, e recepcione a oportunidade na outra margem com sutileza, respeito e esperança. 

– Me perdoe Ana, não foi a minha intenção. Não quis ser rude. É que meu pai está sendo ameaçado por uma dívida, preciso encontrar esse tesouro. 

– Pois bem, lhe darei apenas mais três tarefas. Está vendo aqueles cestos no cavalo, são tecidos e frutas. Leve até a cidade vizinha, são dois dias pela estrada. Cuide bem do cavalo e venda todas as mercadorias dos cestos. Nesta outra sacola está alguns tecidos mais caros, eles são para Julie, a filha do dono da mercearia. Ela irá comprar esses tecidos e já sabe quanto deve pagar. Basta dizer que você é o mensageiro da Ana Rosa. E por último leve consigo essas duas rosas amarelas neste pequeno vaso de barro, não deixe-as morrer nem quebre o vaso. Entregue uma para Julie e a outra traga de volta até mim em seu retorno, junto com todo o dinheiro adquirido com as vendas. Entendeu? 

– Certo senhora. As tarefas são: ser gentil com as palavras; ser paciente e esperançoso; vender as mercadorias; encontrar Julie; e por último cuidar das Rosas. Certo? 

Pedro se mostrou atencioso e repassou cada uma das cinco tarefas que deveria cumprir para então ganhar o seu tesouro. Mas Ana lhe olhava de forma diferente. 

– Está errado meu jovem. – Disse dando uma pausa dramática. – É senhorita, mas como disse, pode me chamar apenas de Ana ou se quiser A Moça das Rosas. 

Ambos sorriram com a brincadeira e mais tranquilo, Pedro seguiu seu caminho com a missão de cumprir as tarefas. Ana o esperou naquele mesmo rio seis dias após a partida, isso porque Pedro Joaquim levou dois dias para chegar à cidade vizinha, dois dias para vender as mercadorias e mais dois dias em seu retorno. 

Sorridente feito uma criança, Pedro chegou ao rio onde sua aventura havia começado. Ele queria seu tesouro e queria também mostrar para Ana que conseguiu cumprir todas as tarefas com êxito. 

– Eu consegui Ana. – Disse feliz. 

– Muito bem meu querido, fico extremamente feliz por você.

–  Aqui está todo o dinheiro que consegui com as vendas das mercadorias, está é a quantia que Julie ofertou pelos tecidos e a rosa como prometido. Julie também ficou sorridente com a linda rosa amarela,  o cavalo está bem cuidado e o vaso intacto. 

– Fico agradecida pelo seu empenho. Suponho que agora queira o mapa com a localização do ouro, não é mesmo? 

– Sim. – Disse Pedro envergonhado e entusiasmado. 

Ana Rosa pegou em sua bolsa um pedaço de papel que estava enrolado, guiou Pedro até uma parte rasa e calma do rio e junto do garoto abriu o pergaminho dentro da água. Assustado Pedro agitou a água e tentou resgatá-lo, mas viu que era apenas um papel em branco que foi levado pelas águas. 

– Você me enganou? Era apenas um pedaço de papel em branco. Não tinha mapa, nem tesouro. – Disse o jovem alterado e esbravejando sua irritação.

Calma e serena, Ana Rosa lhe respondeu: 

– Olhe novamente. 

Pedro Joaquim sem entender nada olhou para o rio e pode ver dessa vez o seu reflexo nas águas calmas, antes agitadas pelos seus movimentos ao tentar pegar o papel. 

– Sempre foi você o único caminho ao tesouro, apenas você pode encontrar sua riquezas e maneiras para sair das dificuldades. Claro, sendo humilde e aceitando ajuda, como fez comigo. Cada tarefa lhe ensinou algo meu jovem. A primeira lhe dizia para não ser rude com as palavras, você foi além e conseguiu ser gentil. As palavras são ferramentas poderosas em nossa vida e se usadas de forma correta são artifícios valiosos. Você abriu portas em uma cidade que não te conhecia sendo gentil. A segunda tarefa lhe pedia paciência e esperança. Fora uma viagem longa, você traçou ela com perseverança, seguindo em frente e enfrentando os desafios necessários, mesmo que fosse andar a pé ao lado do cavalo para não lhe forçar com seu peso. 

– Como sabe disse, se não lhe contei? – Interrompeu o menino. 

– Trilhei o caminho com você, apenas não permiti que me visse, com cautela e distância eu estava lá contigo. Agora me permita continuar. – Ana Rosa tomou fôlego e prosseguiu:

– Você Pedro, nunca soube vender, sempre trabalhou nas terras com seu pai, mas se mostrou firme diante de algo novo e conseguiu, com ajuda das palavras, vender todas as mercadorias. Eu não lhe disse onde vender, mas ainda assim você conseguiu. Bateu de porta em porta nas mercearias, casas, costureiras e até mesmo na rua. Você conseguiu. Os tecidos para Julie não foram uma tarefa árdua por causa da jovem, mas sim pelo pai dela. Ele é um homem doce para os mais próximos, mas severo para os forasteiros que tentam se aproximar de sua filha. Você o conquistou primeiro porque era meu mensageiro, segundo porque foi gentil e respeitoso com todos, principalmente com Julie, presenteando-a com a rosa. Você também foi inteligente, pois observou por um tempo o funcionamento da cidade e viu que as frutas que você carregava não era vendidas ali, mas não quis encontrar rivalidade e as ofereceu ao pai da Julie para que ele pudesse vendê-las. Ali você ganhou sua confiança. E a Rosa é a lição mais valiosa, você foi responsável e cuidadoso com ela a viagem inteira, mas te observando percebia que não a jogou fora, um sinal de compromisso que chegaria até a cidade como combinado levando uma das rosas para Julie e voltaria até mim com a outra rosa. Se provou honesto, não roubou meu cavalo, nem as mercadorias, nem ficou com nenhum dinheiro das vendas. Aprendeu muito Pedro Joaquim, por isso vou te ajudar, te guiar a tranquilidade. Pegue metade deste dinheiro e pague a dívida de seu pai, isso foi fruto do seu trabalho. Também consegui um comprador para as terras de sua família. Ele não pagará muito, mas o suficiente para vocês comprarem novas terras na cidade vizinha, pois é mais segura e com melhores pessoas. Lá seu pai e seus irmãos poderão plantar novas coisas, sua mãe poderá bordar para as senhoras de lá e você poderá vender, vender as mercadorias que eu comprar com o restante deste dinheiro e vender as mercadorias da colheita que seu pai fará futuramente. Isso se chama prosperidade, meu caro, caminhar constantemente ao progresso e ao desenvolvimento. Você apareceu e conquistou com o esforço de seu trabalho. Parabéns. 

O jovem Pedro Joaquim ficou imensamente grato e seguiu Ana Rosa até a cidade. Os planos deram certo, a dívida foi paga, sua família mudou para a cidade vizinha. Pedro aprendeu a arte de ser comerciante, sua mãe em bordar e seu pai e irmãs seguiram cultivando terras. Ana Rosa se dedicou ajudar aquele jovem no caminho da prosperidade. Ele aprendeu lições valiosas. Ana Rosa não lucrou nada, apenas a satisfação em ajudar. Ela seguiu seus caminhos, pelas estradas e cidades, vendendo e ensinando, enquanto Pedro casou-se com Julie, com quem formou uma linda família.

 

Escrito por: Ricardo Guelfi de Souza

Estudante de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Assistente de Mídias Sociais na TV Mundo Maior.

 

 

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