A Gênese Original: Entenda quais foram suas alterações

A Alteração da Gênese Original, obra de Allan Kardec, é um assunto importante para ser entendido e debatido dentro do Movimento Espírita. No dia 26 de Maio a Fundação Espírita André Luiz lança a Primeira Publicação Brasileira da Obra Original.

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Esse processo histórico é explicado pelo pesquisador Espírita, escritor e comunicador da Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior, Paulo Henrique de Figueiredo.

Paulo Henrique esteve engajado no processo de pesquisa e entendimento da alteração dos textos de Kardec. Entenda mais:

Quais foram as alterações notáveis que A Gênese Original sofreu?

Primeira Alteração da Gênese Original

Um exemplo da Gênese Original é quando Kardec diz que o Espírito sai do seu desenvolvimento animal, apenas regido por instintos e paixões, e inicia a vida humana. Com isso ele desenvolverá a inteligência e vai elaborar o livre-arbítrio e o senso moral.

Kardec define isso como a centelha divina, ou seja, aquilo que vai fazer que o princípio espiritual realmente inicie a vida como espírito humano. E fica apenas nesse contexto, segundo a 5° Edição.

Ao estudar a 1° Edição, Kardec dá continuidade ao texto e diz que essas faculdades humanas e morais também tem um desenvolvimento gradual. Em outro trecho ele acrescenta que o livre-arbítrio surge após o desenvolvimento da inteligência racional.

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Esse conceito é algo que não sabíamos que estava na teoria de Kardec, que o livre-arbítrio é consequência da inteligência racional. Ou seja, primeiro o espírito vai sair do domínio do instinto e então começar a usar a inteligência para aprimorar o seu conforto, a sua alimentação, habitação e a relação social.  

Essas são as primeiras utilidades da inteligência e só depois que vai se desenvolver o livre-arbítrio que é, por meio da inteligência, fazer as escolhas morais e definir o agir e seus hábitos.

É nos trechos suprimidos que podemos entender isso, pois tínhamos uma lacuna na questão psicológica do desenvolvimento do espírito. Isso porque o raciocínio foi cortado pela metade nesses trechos suprimidos.

Podemos ver um raciocínio tão importante como esse, ideias transformadoras. Até então imaginava-se que recebíamos de Deus a inteligência e o livre-arbítrio. Vivia-se na vida animal com o instinto e de repente Deus te dá inteligência e o livre-arbítrio e você sai escolhendo.

Segunda Alteração da Gênese Original

Outra questão suprimida diz o seguinte: O indivíduo adquiri o livre-arbítrio por meio da sua própria inteligência e senso moral. Estas são conquistas e nada, portanto, dada por Deus. A responsabilidade moral é progressiva de acordo com o desenvolvimento do livre-arbítrio.

Isso é inovação,pois imaginávamos que a alma, quando torna-se humana e tendo o livre-arbítrio, é responsável por todas as leis morais.Tanto que as igrejas definem os pecados e falam que o ser humano deve ser como os santos que não erram.

Com essa inovação que Kardec propôs nos estudos da Gênese e só agora estamos sabendo. Ele diz o seguinte: a responsabilidade é proporcional ao desenvolvimento do livre-arbítrio e cada um é responsável por aquilo que compreendeu. Isso tira a culpa das pessoas, porque se você percebe depois que errou. Mas em torno de algo que não se sabia, não se tem responsabilidade moral sob aquilo.

Se você se vê dentro de uma situação que você ainda não sabe resolver porque é complexa. Não se tem a responsabilidade de resolver, pela falta de conhecimento para isso. A doutrina traz um alento para o nosso dia a dia, para as questões que nos afetam e tudo isso estava suprimido da obra de Kardec.

Dedução de Kardec

Kardec deduziu o entendimento da moral a partir das ciências humanas, psicologia, antropologia, geologia. Quando estudamos nós mesmos não podemos nos fundamentar em revelações imutáveis, mas temos que nos fundamentar no livre exame.  

Em um trecho que foi retirado da Gênese Kardec diz que as religiões do passado foram criadas para a subjugação do povo, estrutura semelhante a monarquia. Você não pode ter o livre exame, deve ter obediência passiva e tem que ter fé cega. E tudo isso pertencia as religiões do passado e hoje não. Tentar dizer que o Espiritismo tem a estrutura das religiões do passado é um equívoco.       

A moral deve ser estuda. Existe uma ciência da moral e é isso que precisa ser estabelecido. Porque até então a moral era escutar os dogmas e aceitá-los. E o Espiritismo vai dizer que a moral é um estudo do ser humano, e assim compreendendo o Espírito e a si mesmo.   

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https://youtu.be/E4EdisrXpfg

Veja também:

https://youtu.be/HpkLSAY-ufg

 

Escrito por: Ricardo Guelfi 

 

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  • Sinceramente, já estudei a Gênese na quinta edição e dos dois entendimentos que vocês apresentam eu entendi a mesma coisa. Não havia distorção no entendimento. Me preocupa a necessidade de se apresentar um livro exclusivo de uma autora com uma repercursão um pouco sensacionalista.

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