Editorial

Rituais religiosos e os animais

Enviado em 28 de abril de 2015 | Publicado por TV Mundo Maior

Há algumas semanas tramita um projeto de lei (PL 21/2015) em Porto Alegre, proibindo o sacrifício de animais em rituais religiosos. Acredita-se pela tradição, que os fluídos do animal sacrificado aproxima o devoto de sua divindade. Antes de julgar alguma religião específica que pratica este ato indiscutivelmente abominável, com o que nós espíritas e cristãos, estamos compactuando em escala muito maior?

Nos deleitamos em mesas repletas de cadáveres acreditando estarmos condizentes com Jesus nas festividades como a Páscoa e Natal. Transformamos reuniões familiares em risadas, em meio ao sofrimento de seres indefesos em rodeios, touradas, circos, zoológicos, aquários etc. Promovemos eventos ditos fraternos acreditando que o oferecimento de feijoadas, lasanhas e fricassés recheados de sofrimento, estaremos condizentes com o Evangelho. Contribuímos na perpetuação de uma tradição longe de ser coerente com o progresso. No Livro dos Espíritos na resposta da questão 669b, é esclarecido pelo Espírito da Verdade que compactuar com a dor é um ato de desamor:

“(…)Deus, entretanto, nunca exigiu sacrifícios, nem de homens, nem, sequer, de animais. Não há como imaginar-se que se lhe possa prestar culto, mediante a destruição inútil de suas criaturas.” Nenhuma religião seja ela qual for, deve ser utilizada como desculpa para atos retrógrados de sacríficios de animais, servindo de escudo para a liberdade de culto ou para festividades. Na questão 797 no Livro dos Espíritos temos: “Como o homem poderia ser levado a reformar as suas leis?” e a resposta: “Isso acontecerá naturalmente, pela força das circunstâncias e pela influência das pessoas de bem que o conduzem na senda do progresso. Há muitas que já foram reformadas e muitas outras ainda o serão. Espera!”

Portanto, apoiemos projetos de lei que trabalham para incluir todas as criaturas com direito à própria vida. Libertemo-nos o quanto antes da ignorância de conhecimento para estarmos conscientes de nossos atos, começando pelas palavras de Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida!”

Saiba mais sobre este tema assistindo ao vídeo “Por que amamos cães, comemos porcos e vestimos vacas?”

 

Ana Paula TalaveraTexto escrito por Ana Talavera:

Publicitária, ativista e vegana, atua com projetos sociais nos Criativos do Bem. Trabalhou no Instituto Nina Rosa – projetos por amor à vida, organização sem fins lucrativos produzindo materiais educativos sobre defesa animal, educação humanitária e veganismo. É aluna do curso de Espiritualidade dos Animais na ASSEAMA (Associação Espírita Amigos dos Animais) e integrante da banda Sol de Outubro de São Paulo/SP.

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