Editorial

Há alguns anos, eu era mais velha que hoje

Enviado em 18 de novembro de 2016 | Publicado por TV Mundo Maior

Há alguns anosExcesso de cautela, responsabilidade, medos, cobranças, bloqueios inimagináveis e receio do que as pessoas pensariam sobre minhas atitudes. Essa era minha fiel personalidade de poucos anos atrás. O resultado não poderia ter sido outro: uma jovem, cheia de vida, presa em seus pensamentos limitadores. Hoje, prestes a completar mais uma primavera, tenho milhares de motivos para comemorar.

A vida está indiscutivelmente melhor agora do que há 10 ou 15 anos atrás. Faço das sábias palavras da atriz Claudia Abreu, as minhas: “Há alguns anos, eu era mais velha que hoje”.

Assim como a maioria das mulheres, me vi em crise quando cheguei à casa dos 29. Aquelas coisas fúteis mesmo, confesso, de rugas, cabelo branco e metabolismo lento. Sem falar nos “planos” que havia traçado no auge dos meus 15 anos, idealizando que aos 30 estaria muito bem financeiramente, estabilizada emocionalmente, casada ou com filhos, mulherão  resolvida, com carro do ano e casa própria. Todas essas metas, digam-se de passagem, não foram alcançadas.  É engraçado isso de idade porque quando, anos atrás, me imaginava com essa idade, tinha uma ideia completamente diferente do que é hoje a realidade. E mesmo com todos os meus “fracassos”, este instante é muito melhor.

É simples entender porque tudo é mais agradável hoje, afinal, a menina que eu fui ontem não seria capaz de realizar todos esses sonhos que eu tinha para mim. As coisas demoraram a acontecer em minha vida. A coragem chegou tardiamente, a decisão também, e o amor ainda nem bateu à minha porta. Estou, literalmente, nascendo para muitas realizações, sentimentos e experiências. Uma oportunidade extraordinária de escrever uma nova história, de chegar ainda mais perto daquela pessoa que eu sonhei em ser um dia, quando eu era adolescente.

Aos 30 anos eu cortei o cabelo, perdi o emprego, fui contratada por uma empresa muito melhor, me tornei colunista da TV Mundo Maior e enfrentei o medo de dirigir que me aprisionou durante uma década. Dei uma pausa nas preocupações profissionais e fiquei o ano inteiro sem pensar em estudos, faculdades, cursos e afins. Em contrapartida, busquei minha luz interior, a meditação, o crescimento pessoal, o autoconhecimento. E este foi o melhor presente que eu poderia ter me dado. Me auto-observei e parei de me levar tão a sério, de ser ansiosa, de querer que as coisas acontecessem da minha maneira, no meu tempo. Freei os meus pensamentos insanos, as expectativas, o ciúmes, os dramas. Entrei dentro de mim sem bater, sem julgar. Os monstros surgiram e eu avancei, fugazmente, ao encontro deles. Me aceitei sem maquiagem, sabe?! Com olheiras,  voz embargada e trêmula, na pureza da minha insegurança. Deixei as armas e as angústias do lado de fora, em troca do presente, do agora, do dia após dia.

Não existe uma fórmula concreta para chegar a felicidade e ao sucesso e ninguém precisa ter a vida solucionada aos 30. Para muitas pessoas, um aniversário pode ser um péssimo lembrete de que mais um ano passou, aumentando a pressão para se alcançar a plenitude profissional e pessoal. Inúmeras personalidades, no entanto, provam que é possível se reinventar e ser bem sucedido após os 30, 40 ou até 50 anos.

Há alguns anos eu imaginava que aos 30 eu já seria velha

Stan Lee, criou os quadrinhos “O Quarteto Fantástico” aos 39 anos. Vera Wang, abandonou o jornalismo e se consagrou como estilista aos 40. O escritor Harry Bernstein só ganhou fama aos 96. Sam Walton construiu uma carreira satisfatória no varejo aos 44 anos, quando criou o conceito Wal-Mart e mais tarde Sam’s Club. Robin Chase criou a Zipcar, a maior empresa de carros compartilhados do mundo, aos 42, e hoje é consultora e membro do Fórum Econômico Mundial. O ator Samuel L. Jackson ficou reconhecido em Hollywood aos 43 anos, após atuar no premiado filme “Febra da Selva”. Henry Ford, aos 45, criou o revolucionário carro Modelo T, em 1908, primeiro automóvel a preço acessível e que deu início a uma nova era do transporte. Julia Child era publicitária até escrever seu primeiro livro de receitas aos 50 anos, o que a tornou uma das chef mais respeitadas do mundo. Charles Darwin, ganhou fama aos 50 anos com “A Origem das Espécies” (1959), teoria que mudou a comunidade científica para sempre.

Os exemplos não param por ai. O astro Sylvester Stallone perseguiu a fama sem grandes êxitos até conseguir, aos 30 anos, vender seu roteiro e estrelar o filme “Rocky” (1976), sucesso de bilheteria em todo o mundo. Morgan Freeman começou a fazer sucesso aos 50 anos depois de ganhar sua primeira indicação ao Oscar para o filme “Armação Perigosa”. Roberto Bolaño ganhou o respeito e admiração de milhares de crianças e adultos aos 42 anos, quando criou os personagens “Chaves” e “Chapolin”. No Brasil, Adoniram Barbosa só foi lançar discos na década de 50, aos seus 40 anos, e teve seu auge aos 50. Outro sambista que sentiu o gostinho da fama tardiamento foi Cartola: aos 66. O ator Domingos Montagner foi palhaço, professor de educação física e se consagrou na teledramaturgia após os 42 anos de idade.

Sim, há grandes prodígios juvenis que nos enchem de orgulho, como Mark Zuckerberg, Steve Jobs e Bill Gates, visionários que se tornaram referências na área de tecnologia antes dos 25 anos. Mas, inspiração não falta para quem já chegou – ou passou – da casa dos 30 (como eu) e ainda não realizou nenhum grande feito. Temos chances de fazer novas histórias. Basta querer e ter coragem para se reinventar. Quem não conhece inúmeros jovens com 80 anos e  velhos rabugentos de apenas 26? A jovialidade e a genialidade está dentro de cada um de nós.

Que cada nova idade seja um momento de renovação pessoal, de objetivos, sonhos, carreira, anseios e desejos. Que possamos celebrar muito mais do que a idade, mas a conquista da maturidade, da experiência, do autoconhecimento e do legado adquirido ao longo dos preciosos anos. Que possamos contribuir para o desenvolvimento e luz de mais e mais pessoas que passam pelo nosso caminho. E que a gente NUNCA se esqueça: NUNCA É TARDE DEMAIS. Cada novo dia é uma nova oportunidade de sermos protagonistas da nossa história. Esqueça o que foi escrito até aqui, abandone o papel de coadjuvante e avance, para finalmente, ser a estrela principal da sua poesia. A obra de arte é sua. Escolha o enredo que você quiser!

*Este texto é de responsabilidade de seu autor. Não representa necessariamente a opinião da TV Mundo Maior.

Texto escrito por Camila Garcia

Jornalista, pós-graduada em Comunicação Integrada e Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente é assessora de comunicação do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP). Já trabalhou como repórter, redatora e produtora de TV. Nas horas vagas gosta de caminhar ao ar livre, ler e meditar. Também não dispensa uma boa pizza e a companhia da família e dos amigos. É apaixonada pelo mundo das letras, do autoconhecimento e da espiritualidade, temas que se tornaram sua principal linha editorial.

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