Editorial

Por que a beleza física chama tanto a nossa atenção?

Enviado em 24 de outubro de 2016 | Publicado por TV Mundo Maior


Beleza físicaInício
este artigo compartilhando uma experiência pessoal que tive semana passada. Havia acabado de descer do ônibus, rumo à plataforma do metrô em São Paulo, quando me deparei com um casal de deficientes visuais.

Eles precisavam de um “guia” para ajudá-los a chegar até o embarque. Notei que algumas pessoas fingiam não os ver, outros iam e vinham na velocidade da metrópole sem tempo para uma pausa sequer. Foi então que me propus a ajudar. Durante o pequeno trajeto, foi possível coletar algumas informações, como o local de trabalho dos dois, formação profissional e o ano em que disseram “sim” e se casaram.

Foi então que os deixei no local desejado e segui meu caminho, pensando sobre a dura realidade de um deficiente visual que atravessa a cidade diariamente para trabalhar, mas principalmente, sobre a conexão de amor que emanava entre os dois. Em um mundo onde a beleza física reina sob todos os poros, como sobrevive um casal que não pode “ver” seu companheiro? Qual a cor dos cabelos e dos olhos da pessoa amada? Como ela se veste, como anda, como sorri?

Se perdêssemos nossa visão hoje, conseguiríamos nos relacionar com alguém sem saber como ela é fisicamente? A maneira como encaramos a beleza física pode influenciar muito em nossa felicidade. Ninguém tem dúvidas quanto a magnitude e perfeição da criação de Deus. A capacidade do corpo humano é incrível. Temos sim que cuidar muito bem dele, afinal, é nosso templo, é onde o Deus vivo habita em nós. Contudo, chamo atenção quanto às preocupações exacerbadas com relação à beleza, com o corpo, com a estética, com a moda, com a casca. Este corpo envelhece e morre. Precisamos urgentemente pensar sobre isso.

Talvez, um dos termos mais comuns do nosso século seja “O que é bonito é para se mostrar”. Segundo relatório da American Psychological Association (APA), nas culturas onde esse pensamento é comum, meninas adolescentes e pré-adolescentes aprendem a se ver como “objetos de desejo, a ser admiradas e avaliadas por sua aparência”. Esse conceito é perigoso e já se tornou uma grande preocupação social e questão de saúde pública. Triste realidade.

Que o seu adorno não seja as coisas externas… mas seja a pessoa secreta do coração com o adorno imperecível do espírito calmo e brando, que é de grande valor aos olhos de Deus.” (1 Pedro 3:3,4)

Por isso, caro leitor, não serei hipócrita em dizer que não me preocupo em estar bem e apresentável. Que a imagem não contribui nesse mundo onde um rosto bonito funciona como um cartão de visita. A vaidade em equilíbrio é fundamental, pois nos ajuda a cuidar da saúde e demonstra respeito ao próximo quando não nos apresentamos de maneira maltratada. Meu recado é para que não nos tornemos pessoas atormentadas, com medo de aceitar a idade, sem conseguir ser feliz como o corpo que temos hoje, que sofre por causa da musculatura flácida, das rugas e perda de viço da pele. Devemos evitar o sofrimento em qualquer circunstância e, especialmente, por causa de um corpo que está destinado a desaparecer, a virar pó.

Que saibamos cuidar mais do nosso interior, que é o que ficará para sempre, pois essa beleza não desaparece com a idade. Na verdade, ela pode até melhorar.

“O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.” (1 Samuel 16:7)

Tire do seu coração as preocupações e afaste do seu corpo coisas prejudiciais, pois a juventude e a flor da vida são vaidades.” (Eclesiastes 11:10)

 

*Este texto é de responsabilidade de seu autor. Não representa necessariamente a opinião da TV Mundo Maior.

Texto escrito por Camila Garcia

Jornalista, pós-graduada em Comunicação Integrada e Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente é assessora de comunicação do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP). Já trabalhou como repórter, redatora e produtora de TV. Nas horas vagas gosta de caminhar ao ar livre, ler e meditar. Também não dispensa uma boa pizza e a companhia da família e dos amigos. É apaixonada pelo mundo das letras, do autoconhecimento e da espiritualidade, temas que se tornaram sua principal linha editorial.

 

 

 

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