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Editorial

As angústias e alegrias de nossas escolhas

Enviado em 17 de julho de 2017 | Publicado por TV Mundo Maior

Na última sexta-feira, tive uma noite agradável com um casal de amigos queridos. Passamos algumas horas comendo, conversando e divagando sobre a vida. Entre uma risada e outra, e uma pitada de emotividade, chegamos a conclusão que viver é isto: ficar se equilibrando, o tempo todo, entre escolhas e consequências.

Talvez, quando tivermos 80 anos, num momento tranquilo de reflexão e narrando para nós mesmos a versão mais particular de nossa história, a parte mais compacta e significativa será a série de escolhas que fizemos ao longo de nossa trajetória. “Eu não tive tempo de responder sua mensagem porque estava muito ocupada com meu trabalho”, “Eu não faço exercícios físicos porque não tenho tempo”, “Eu não termino meu casamento falido porque minha família não aceitaria”, “Eu não presto essa prova porque não tenho condições de passar”, “Não me entrego ao amor porque já sofri muito e não quero me machucar novamente”. O historiador Leandro Karnal comenta em suas palestras que quando lhe perguntam como ele faz para ler tanto, ele responde: eu sento, abro o livro e leio. Simples e sem fórmulas mágicas.

Segundo a ideia do filósofo francês, Jean-Paul Sartre, somos condenados à liberdade. É essa condição, a do livre-arbítrio, que nos difere dos animais e das coisas existentes no mundo e no Universo. A princípio, essa ideia pode soar estranha, afinal, quem não deseja ser livre e independente? Quem quer ter seu direito de ir e vir limitado ou submeter-se a leis e regras alheias?

Apesar dessa liberdade ser um dos bens mais preciosos que ganhamos ao nascermos, ela é também responsável por nossas aflições, ansiedades e conflitos. Afinal, se somos completamente livres, somos também responsáveis por absolutamente todas as nossas ações e suas consequências. A angústia, denominada por Sartre de “nausea”, surge justamente de nos percebermos sozinhos em cada passo que damos e por percebermos que, ao termos 360 degraus de possibilidades, temos que escolher uma. Sem garantias de acertos, sem ter como prever resultados, muitas vezes, sem ter como voltar atrás.

Outra máxima do filósofo diz que a existência precede a essência. Não há uma essência que nos antecede. Somos resultado de nossas ações. O que somos hoje é resultado de todas as escolhas que fizemos ao longo de nossa vida. Muitas vezes, escolhemos acreditar em justificativas, desculpas, explicações errôneas para algumas de nossas atitudes. Culpamos o passado, nossos pais, nossos ex companheiros, o horóscopo. Tudo é válido para justificar nossas ausências. Sartre classificava essa conduta como “má-fé”, uma crença que escolhemos ter para nos aliviar do “peso” da liberdade e para não admitirmos nossa real responsabilidade.

No entanto, o fato de alguém querer algo não significa que a escolha já está feita. Posso querer casar-me, mas se tal vontade não for posta em prática, não posso dizer que escolhi o matrimônio. Para que se concretize, é preciso praticá-la.

Ao final dessa surpreendente conversa com meus amigos, entendi que a liberdade presume responsabilidade, conosco e com os outros. Optamos viver na zona de conforto ou avançarmos rumo aos nossos objetivos. Escolhemos tirar os venenos e as adagas da frente e criar o nosso próprio final feliz. É nossa escolha optar ou não por experimentar enredos ou pela fuga. Sim ou não. Ficar ou ir embora. Falar ou se calar. Há escolhas indiferentes e outras que se destacam na vida. Amar e odiar, por exemplo, não podemos escolher não sentir, mas temos o poder de decidir sobre o que fazer desses sentimentos dentro da gente. E essas escolhas influenciam os próximos capítulos da nossa realidade.

“Somos as escolhas que fazemos e as que omitimos, a audácia que tivemos e os fantasmas aos quais sacrificamos a possível alegria e até pessoas a quem amamos; a vida que abraçamos e a que desperdiçamos. Em suma, fazemos a escritura da nossa complicada história.” –  Lya Luft

(Fontes: Divagando, Genialmentelouco, Obvious e RefletindoaAlma)

*Este texto é de responsabilidade de seu autor. Não representa necessariamente a opinião da TV Mundo Maior.

Texto escrito por Camila Garcia

Jornalista, pós-graduada em Comunicação Integrada e Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente é assessora de comunicação do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP). Já trabalhou como repórter, redatora e produtora de TV. Nas horas vagas gosta de caminhar ao ar livre, ler e meditar. Também não dispensa uma boa pizza e a companhia da família e dos amigos. É apaixonada pelo mundo das letras, do autoconhecimento e da espiritualidade, temas que se tornaram sua principal linha editorial.

 

 

Para saber mais sobre outro assunto relacionado ao tema, assista:

A angústia nos faz repensar e buscar novos caminhos – Visão Social

Parte 1

Parte 2

Parte 3

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